No Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, um decreto que regulamenta a entrada e permanência dos cães-guias em todos os estabelecimentos do país foi assinado pelo presidente da república. No Distrito Federal, já existe uma lei que também prevê multa e interdição do local que proibir a entrada do cachorro. Na prática, quem circula com o cão-guia ainda tem muitas histórias de discriminação.
"Quando o usuário de cão-guia, que é um deficiente visual, for impedido por alguém de entrar em qualquer espaço público ou de uso coletivo, a multa varia de mil a trinta mil reais", alerta a funcionária da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Isabel Maior.
Cego desde os 15 anos, Daniel Marques, hoje com 23, tem em seu cão-guia, Aimi, os olhos que precisa para ser independente e freqüentar shoppings, por exemplo. Aimi, que significa escuridão em tupi-guarani, permite que o bancário e estudante de Direito não ande no escuro. Os dois chamam a atenção. Muita gente observa e fica intrigada. Pelo menos nos grandes centros comerciais, geralmante ninguém descrimina o cão-guia.Mas nem sempre é assim."Eu entrei no shopping e peguei o elevador. Só que, ao invés de subir, o elevador desceu. Foi quando apareceu uma pessoa e me pediu para retirar o cachorro. Eu disse que não ia retirar por se tratar de um cão-guia e que era um direito meu. Ainda acontece muita discriminação, muito preconceito", afirma Daniel.
De acordo com o decreto, o cão-guia não pode circular em áreas restritas de hospitais, como UTIs e locais de quimioterapia. "Muita gente tem animal de estimação em casa. Se é comum ter cachorro em casa, qual o problema do animal freqüentar o shopping socialmente?", questiona a psicóloga Kátia Juaneza.
Fonte: G1